Memória da matéria nada

Ao Urbano, um obrigado

 

Grãos de terra

semeados a goma e cor

para que a pedra germine. 

 

Os despojos frios do fogo

lançando raízes

sobre a tábua mineral. 

 

Então a poda:

o ruído fenecendo

secando

para que o silêncio 

possa dar frutos.

 

No sudário pétreo apenas

- sombra de uma sombra -

o rasto nu do indelével:

o abandono do corpo caído;

o peso dos dias

nas últimas flores;

a luz, a luz branca

em que se movem 

os girassóis. 

 

Sombras, apenas sombras

de mais uma mão na parede. 

 

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publicado por Nuno Cardoso Dias às 11:20 | link do post | comentar